O mês de março é dedicado à conscientização, prevenção e combate ao câncer do colo do útero, uma doença que ainda representa um grave problema de saúde pública no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o triênio 2026-2028, são esperados cerca de 19 mil novos casos por ano, um número muito elevado para uma doença que poderia ser evitada.
Ao contrário de outros tipos de câncer, o do colo do útero sabemos que mais de 90% dos casos são causados pelo papilomavírus humano (HPV) e, o mais importante, há meios de preveni-lo. Por ser um vírus extremamente comum, estima-se que a maioria da população sexualmente ativa terá contato com o vírus em algum momento da vida. Na maior parte dos casos, a infecção é transitória, mas, quando persiste, pode provocar lesões que evoluem para o câncer.
Como o HPV é um vírus silencioso, não causa sintomas em fases iniciais. Isso faz com que seja descoberto em estado avançado, quando não são realizados os exames de rotina com a periodicidade necessária. Por esses motivos, a educação em saúde e a vacinação ocupam um papel central no processo de conscientização e prevenção da doença.
A Vacinação
A vacina contra o HPV foi uma das maiores conquistas da saúde pública nas últimas décadas. Segura, eficaz e disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), ela protege contra os principais subtipos do vírus, que são associados a sete tipos de câncer e verrugas genitais. Atualmente, o SUS oferece a vacina para meninas e meninos entre nove e 14 anos, reforçando uma estratégia de proteção coletiva que beneficia toda a população.
Apesar disso, as taxas de cobertura vacinal no Brasil ainda estão abaixo do ideal. Enquanto a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 90%, no país a taxa de vacinação é de 85% em meninas e 74% em meninos. A desinformação, o medo infundado de efeitos adversos e a falsa associação da vacina ao início precoce da vida sexual são barreiras que precisam ser enfrentadas com informação qualificada, diálogo e confiança. Vacinar é um ato de cuidado, proteção e responsabilidade social.
A Educação
A educação em saúde tem papel fundamental nesse processo. Falar sobre HPV, vacinação e rastreamento deve começar cedo, de forma clara e acessível, envolvendo famílias, escolas, profissionais de saúde e gestores públicos. Quanto mais as pessoas compreendem a doença e os meios de preveni-la, maior será a adesão às estratégias de proteção.
O rastreamento por meio do exame preventivo (Papanicolau) continua sendo essencial no controle do câncer do colo do útero. A combinação entre vacinação, rastreamento regular e acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento, formam um conjunto de ações capaz de reduzir de maneira expressiva tanto a incidência quanto a mortalidade da doença.
Dessa forma, neste Março Lilás, fica o convite para a ação. Este é o momento de reforçar que nenhuma mulher deveria adoecer ou morrer por uma doença que pode ser prevenida. Investir em educação em saúde, ampliar a cobertura vacinal e garantir o acesso equitativo aos serviços de saúde não é apenas uma escolha técnica, mas um compromisso com a vida.
Prevenir é sempre o melhor caminho. E, no caso do câncer do colo do útero, a informação correta e a vacinação podem fazer toda a diferença — hoje e no futuro.
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Cátia Duarte
Conselheira do IGCC
Relações Públicas, com especialização em Marketing e MBA em Comunicação em Saúde e Responsabilidade Social





