Artigo | Lideranças femininas fazem diferença nas organizações

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, é impossível não refletir sobre o quanto avançamos — e o quanto ainda falta avançar — quando o tema é igualdade de oportunidades no trabalho, especialmente nos espaços de liderança. E tudo começou com a luta por salários iguais aos dos homens.

Conforme dados divulgados no Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho de 2025, do Ministério do Trabalho e Emprego, 43% das mulheres brasileiras tinham alguma renda, considerando tanto trabalhos formais, quanto informais. Ainda que a presença feminina no mercado de trabalho esteja aumentando pouco a pouco a cada ano, são poucas mulheres que hoje ocupam posição de liderança.

Em 2023, apenas 38% dos cargos de liderança no Brasil eram ocupados por mulheres, de acordo com uma pesquisa realizada pela FIA Business School com 150 grandes empresas do país. Porém, elas são bem mais avaliadas pelos funcionários, sendo consideradas mais confiáveis, populares e melhores gestoras. E esse dado é muito relevante, pois mostra como as mulheres transformam ambientes quando ocupam posições de influência.

Liderar não é apenas tomar decisões ou pensar em resultados. É criar espaços de escuta, é cuidar da cultura que torna esses resultados possíveis. E é exatamente nesse ponto que a liderança feminina tem feito a diferença, em organizações de todos os setores, incluindo, no sistema de saúde.

Historicamente, as mulheres sempre estiveram na linha de frente do cuidado. São maioria entre profissionais da saúde, gestoras intermediárias e lideranças informais que mantêm o sistema funcionando. Ainda assim, não estão presentes nos espaços de decisão estratégica, onde políticas são definidas, prioridades são estabelecidas e recursos são alocados.

A liderança feminina tende a incorporar competências essenciais para os desafios atuais do sistema de saúde. No entanto, desenvolver lideranças femininas exige investimento em formação, ambientes seguros, revisão de modelos de poder e reconhecimento de que liderar também envolve mobilizar pessoas em torno de um propósito.

O futuro da saúde — e das organizações como um todo — passa por modelos de liderança mais conscientes, colaborativos e conectados à realidade das pessoas. Liderar hoje exige sustentar decisões difíceis, integrar dados à sensibilidade humana e construir confiança em contextos de incerteza. As mulheres têm muito a contribuir nesse caminho. Quando lideram, ambientes mudam: tornam-se mais humanos, mais eficientes e mais preparados para lidar com a complexidade do mundo real.

dra. Maira Caleffi

Presidente do Conselho Administrativo do IGCC

Emanuelle Smaniotto

Diretora Executiva do IGCC